Principios

por demanboro

Gostaria, neste post, de colocar algumas questões.

O Blog “Fisiopatia” tem como tema fundamental os principios filosóficos da fisioterapia. Toda ciência, toda profissão, toda prática, ciente ou não disso, assenta-se sobre bases filosóficas. Quais são as nossas? Existe mais de uma “filosofia da fisioterapia”?

Partindo da segunda pergunta, a resposta só pode ser sim. Existem vários modos de se pensar e fazer fisioterapia e isso é fácil de constatar no dia-a-dia da profissão. Há colegas que se consideram “reabilitadores” e trabalham em função disso. Há aqueles que julgam que seu trabalho é e sempre será condicionado ao de outros profissionais (na faculdade, ouvi de um professor: “nós somos uma profissão que depende de outra”. Há opiniões desse tipo entre os fisios, entre aqueles que formam as futuras gerações de fisioterapeutas).

Sim, há controvérsias. O pensamento na profissão não é homogêneo. Deveria ser? Não, não creio. Esse é um dos meus principios: a liberdade é um valor absoluto. Cada um tem o direito de ter e expressar sua opinião. E mais: a diversidade é o solo que faz crescer os brotos do futuro.

Porém…

Há principios (fundamentos) que engessam e outros que levam adiante. Há os autoritários e os libertários.

E há a história e os consensos. E os conflitos também. O que significa isso? Que ao longo do tempo a atuação e luta de profissionais definiu o que hoje é o campo da fisioterapia. Que o que fazemos hoje e julgamos que seja claramente a “área” da fisioterapia, sem discussão, não foi um dia (lembram da “Chartered Society of Masseurs”?) e que, por mais que alguns achem que a evolução chegou a seu limite, ela não chegou.

Se a profissão almeja um futuro, se ela não for extinta porque pressões internas (sim, internas) barraram seu crescimento, esse futuro deve se assentar em bases éticas (lembrando que “ética” é a aplicação da moral e Moral o ramo da filosofia que trata dos principios fundamentais que regem a conduta humana, o estudo do “certo” e do “errado”, do “bem” e do “mal”. Para Kant, em seu “imperativo categórico”: “Agir como se sua ação devesse ser erigida em lei da natureza”).

Sendo assim, a ética da profissão deve ser pensada não apenas como o que podemos fazer, mas sobre o que deveríamos fazer. Aliás, praticamente todo o pensamento moral é sobre o “deveria” e não sobre o “é”. A fisioterapia, hoje, “é” de um determinado jeito? Sim. Mas o que ela “deveria” ser? Quais teriam que ser seus valores?

Essas perguntas, óbvio, nem de longe são apenas minhas. São das instituições que regem a profissão, do mundo científico que encampa a prática profissional. São principios respaldados pela história, pelas agremiações terapêuticas.

Não falo só de Brasil. Falo da WCPT, da APTA, das organizações de classe Européias, Australianas, Canadenses… E, claro, das Brasileiras também.

Todo mundo reconhece que a profissão não é igual no mundo inteiro. Todos nós sabemos que há países em que o fisioterapeuta tem um status mais próximo do técnico que do profissional de nível superior e sua autonomia é insipiente. Há outros em que ele é profissional de primeira entrada, valorissadíssimo, tanto quanto qualquer outro. As questões neste ponto são: O que a fisioterapia como um todo vai se tornar no futuro? E qual o papel da fisioterapia brasileira nesse futuro?

Toda profissão e todo o profissional tem seus principios. Quais são os seus?

Um grande abraço a todos.

 

 

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