Dia Internacional da Mulher

por demanboro

Bom dia!

Ontem foi o dia internacional da mulher e, coincidentemente, o dia em que iniciei este blog (realmente não foi caso pensado). Mas agora, pensando bem, foi a melhor data. Explico: a história da fisioterapia foi construída por pioneiras mulheres e seu presente e futuro dependem em grande medida delas.

(A breve revisão histórica que apresento não é um estudo acurado, apenas uma compilação de fontes mais ou menos consensuais sobre os primórdios da fisioterapia e que podem ser facilmente consultadas na internet).

Remontando ao tempo das primeiras experiencias em fisioterapia na Europa de meados do século XX (o inicio da fisioterapia como a temos hoje, sem contar sua evolução ancestral entre chineses, indianos, gregos e romanos, entre outros povos que se preocuparam com a mediação dos exercícios e dos recursos físicos na preservação e recuperação da saúde humana), iremos encontrar no reino unido a Chartered Society of Physiotherapy composta inicialmente de enfermeiras treinadas em massagem e exercícios voltados à reabilitação, inicialmente das seqüelas da poliomielite e em seguida dos ferimentos e amputações da primeira guerra mundial. Foi a primeira corporação “oficial” de fisioterapeutas e uma mudança de nome (também de paradigma) da anterior Society of Trained Masseurs. Provavelmente a segunda associação a representar a classe, fundada em 1921 por Mary MacMillan nos EUA, foi a American´s Women Physical Therapeutic Association.

De massagistas que buscaram aperfeiçoar e agregar prestigio e campo à sua prática a enfermeiras em campos de batalha e posteriormente voluntárias treinadas em técnicas de fisioterapia por cursos recém criados (de caráter incialmente técnico e vinculados à supervisão médica), os primeiros fisioterapeutas foram, inegavelmente, pioneiras mulheres e, nos adias atuais, essas são ainda a maioria dos praticantes da área, aliás, uma tendência da área de saúde em geral.

Donde se conclui que, em termos gerais, boa parte, senão a mais expressiva, do desenvolvimento da fisioterapia desde seus primórdios técnicos até a sua inclusão como profissão de nível superior e seu grau de complexidade e autonomia atual, se deve ao trabalho destas primeiras, grandes mulheres.

Uma palavra sobre história:

Fica para um próximo post a discussão de um ponto-chave, em minha opinião, nas lutas internas e externas dos fisioterapeutas contra o preconceito de classe e as tentativas de cerceamento de nossa autonomia profissional. Mas, aproveitando o tema deste post, gostaria de sublinhar uma coisa: nos primórdios, eramos massagistas. Se, hoje em dia, nos ouriçamos quando nos chamam de massagistas e nos sentimos ofendidos, isso passa, talvez, por uma tentativa de nos descolarmos de nossa história e, como se sabe, isso nunca dá certo. Melhor não seria dizermos: “No começo, fomos massagistas, agora, cem anos depois, somos doutores e fazemos muito mais coisas além de massagem?”. Acho importante isso. E bom não esquecer que, historicamente, todas as profissões de saúde começaram assim. Antes dos séculos XIX e XX, dentistas eram barbeiros (Tiradentes) e médicos, pouco mais que curandeiros usando unguentos e sangrias…

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